segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Médico com ares de monstro

Muitos escândalos nesses últimos vinte dias sem postagens aqui. Mas, talvez, o maior deles (tirando os escândalos no Senado, que são or concour!) é o do médico Roger Abdelmassih, o especialista em reprodução assistida mais renomado e requisitado do país. Preso na segunda-feira passada, ele é acusado de 56 estupros contra ex-pacientes. Seu registro no Conselho Regional de Medicina de São Paulo foi suspenso e os pedidos de liberdade provisória, feitos por seu advogado, foram negados pela justiça paulista e pelo Supremo Tribunal de Justiça. Agora, a defesa do médico aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a sua liberação.
O que mais chama a atenção são os depoimentos das ex-pacientes que o acusam. Mesmo muitas tendo ficado caladas por tanto tempo, agora decidiram denunciar e relatar, detalhadamente, os abusos de Abdelmassih. Mas, por que só agora? Por que não o denunciaram antes? Por medo de seu nome e influência? Por acharem que eram as únicas e que iriam duvidar delas? Para preservar seus filhos, caso o tratamento tivesse tido resultado? Talvez, um pouco disso tudo e ainda mais!

Os depoimentos das mulheres que mostraram o resto e denunciaram os abusos de Adbelmassih têm pontos em comum. Muitas relatam a maneira que ele tentava beijá-las, forçando a língua para contra suas bocas, e que colocava seu pênis nas mãos delas. Muitas delas, se dizem abaladas e traumatizadas. Em um dos depoimentos, publicados pela revista Veja dessa semana, uma das mulheres diz que desistiu de tentar engravidar e nunca mais foi ao ginecologista.

Agora, cabe à justiça julgar e, se for o caso, condenar Abdelmassih. Mesmo não existindo provas concretas contra o médico, o depoimento das ex-pacientes conta muito e, devesse levar em conta que não são denúncias de duas ou três mulheres (que por si só já seriam graves!) mas de 56! Vamos esperar para ver se o médico com ares de monstro vai ser condenado, se for culpado, ou se a famosa máxima brasileira vai se concretizar: "No Brasil, ricos e poderosos não ficam presos. Pelo menos, não por muito tempo!"

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