segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Mais um capítulo da novela A Favorita


Quem está dizendo a verdade? Em qual delas podemos confiar? Essa era a chamada que a TV Globo usava para divulgar a novela A Favorita, de João Emanuel Carneiro. Se pararmos um pouco para pensar, poderíamos usar essas mesmas frases para definir o embate que acontece, na vida real, entre a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A ex-secretária esteve, na semana passada, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para prestar esclarecimentos sobre o possível encontro que teve com a ministra Dilma no fim do ano passado. Na ocasião, segundo Lina, Dilma pediu que a investigação que a Receita fazia sobre um dos filhos do agora presidente do Senado, José Sarney, fossem agilizadas. Lina interpretou esse pedido como uma forma de encerrar as investigações sobre o caso.

A fatídica reunião na CCJ foi marcada por muitas discussões e por senadores com discursos grosseiros que, com dedo em riste, acusavam Lina Vieira de estar mentindo. "Ou a senhora está mentindo ou prevaricando", disse o líder do PT no Senado, Aloísio Mercadante. Nem passou pela cabeça do nobre senador Mercadante que existia uma terceira opção para sua observação: a de ela estar dizendo a verdade. O que deu para perceber na reunião era que Lina estava muito segura do que dizia, não caiu em contradição e deu alguns detalhes sobre seu encontro com a ministra.Mas, uma dúvida ainda fica no ar: Por que Dilma nega veementemente o encontro com Lina Vieira?

Possibilidades mil: se esse encontro fosse confirmado, Dilma teria passado por cima de uma autoridade maior que a ex-secretária da Receita: o ministro da Fazenda Guido Mantega, chefe direto de Lina Vieira. Se confirmada, essa reunião entre as duas também mostraria que a ministra estaria se metendo em atribuições que não diziam respeito à Casa Civil. Enfim, são muitas dúvidas e poucas certezas. Na CCJ, os senadores se ativeram ao detalhe de que o encontro com Dilma não estava marcado nas agendas de Lina, que não se lembrava da data do encontro com a ministra. Para embolar o meio de campo, a revista Veja traz um fato novo. Em seu depoimento na CCJ, Lina Vieira disse que não comentou do encontro com ninguém, nem mesmo com o ministro Guido Mantega. Já o ministro disse que sabia do encontro e que conversou com Lina em uma data que, também, não se recorda.

Hoje, a Receita Federal exonerou dois ex-assessores de Lina. O Ministério da Fazenda considerou as exonerações como normais, já que a secretaria da Receita mudou de mão e o novo secretário, Otacílio Cartaxo, indicará nomes de sua confiança para os cargos. Na quarta-feira, os senadores de oposição esperam aprovar, na Comissão de Finanças e Tributação, três pedidos de convocações para novos depoimentos: um para Dilma, outro para Lina e mais um para Iraneth Weiner, chefe de gabinete da Receita.

Vamos aguardar para mais cenas dos próximos capítulos da novela da vida real A Favorita! E você? O que acha? Quem está dizendo a verdade?

Médico com ares de monstro

Muitos escândalos nesses últimos vinte dias sem postagens aqui. Mas, talvez, o maior deles (tirando os escândalos no Senado, que são or concour!) é o do médico Roger Abdelmassih, o especialista em reprodução assistida mais renomado e requisitado do país. Preso na segunda-feira passada, ele é acusado de 56 estupros contra ex-pacientes. Seu registro no Conselho Regional de Medicina de São Paulo foi suspenso e os pedidos de liberdade provisória, feitos por seu advogado, foram negados pela justiça paulista e pelo Supremo Tribunal de Justiça. Agora, a defesa do médico aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a sua liberação.
O que mais chama a atenção são os depoimentos das ex-pacientes que o acusam. Mesmo muitas tendo ficado caladas por tanto tempo, agora decidiram denunciar e relatar, detalhadamente, os abusos de Abdelmassih. Mas, por que só agora? Por que não o denunciaram antes? Por medo de seu nome e influência? Por acharem que eram as únicas e que iriam duvidar delas? Para preservar seus filhos, caso o tratamento tivesse tido resultado? Talvez, um pouco disso tudo e ainda mais!

Os depoimentos das mulheres que mostraram o resto e denunciaram os abusos de Adbelmassih têm pontos em comum. Muitas relatam a maneira que ele tentava beijá-las, forçando a língua para contra suas bocas, e que colocava seu pênis nas mãos delas. Muitas delas, se dizem abaladas e traumatizadas. Em um dos depoimentos, publicados pela revista Veja dessa semana, uma das mulheres diz que desistiu de tentar engravidar e nunca mais foi ao ginecologista.

Agora, cabe à justiça julgar e, se for o caso, condenar Abdelmassih. Mesmo não existindo provas concretas contra o médico, o depoimento das ex-pacientes conta muito e, devesse levar em conta que não são denúncias de duas ou três mulheres (que por si só já seriam graves!) mas de 56! Vamos esperar para ver se o médico com ares de monstro vai ser condenado, se for culpado, ou se a famosa máxima brasileira vai se concretizar: "No Brasil, ricos e poderosos não ficam presos. Pelo menos, não por muito tempo!"

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

UMA VERGONHA DE SENADO!

Eu juro que tento falar sobre outra coisa mas, os últimos acontecimentos forçam um comentário. Nesta sexta-feira (7), o presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB) decidiu arquivar sete representações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB). Outras quatro e uma contra o senador Renan Calheiros (PMDB) já haviam sido arquivadas na quarta-feira (5).
A justificativa dada por Duque foi a de que nenhuma representação era embasada por documentos que comprovassem as acusações. O que é mais curioso é que o senador, que não recebeu nenhum voto (era suplente do suplente do hoje governador do Rio, Sérgio Cabral), utilizou a mesma justificativa para todas as representações. Ele não se deu ao trabalho nem de alterar os textos com sua justificativa; era sempre o mesmo! É uma vergonha! Já era esperado que algumas representações fossem arquivadas mas, que ele teria o displante de arquivar as onze já é um pouco demais! Isso mostra o momento pavoroso e vergonhoso do Senado brasileiro! Algo precisa ser feito! Não podemos deixar que senadores como José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor e Paulo Duque habitem os corredores do Senado, instituição que deveria nos representar!

Só posso sentir VERGONHA! Mas, continuo com esperança! 2010 tem que ser diferente! Vamos votar direito. No ano que vem, 54 senadores vão tentar renovar o mandato. O nosso trabalho é cuidar para que gente desse nível não nos represente mais! Não podemos deixar que os Renans, Sarneys e os Collors dominem o Senado Brasileiro!