Quem está dizendo a verdade? Em qual delas podemos confiar? Essa era a chamada que a TV Globo usava para divulgar a novela A Favorita, de João Emanuel Carneiro. Se pararmos um pouco para pensar, poderíamos usar essas mesmas frases para definir o embate que acontece, na vida real, entre a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A ex-secretária esteve, na semana passada, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para prestar esclarecimentos sobre o possível encontro que teve com a ministra Dilma no fim do ano passado. Na ocasião, segundo Lina, Dilma pediu que a investigação que a Receita fazia sobre um dos filhos do agora presidente do Senado, José Sarney, fossem agilizadas. Lina interpretou esse pedido como uma forma de encerrar as investigações sobre o caso.
A fatídica reunião na CCJ foi marcada por muitas discussões e por senadores com discursos grosseiros que, com dedo em riste, acusavam Lina Vieira de estar mentindo. "Ou a senhora está mentindo ou prevaricando", disse o líder do PT no Senado, Aloísio Mercadante. Nem passou pela cabeça do nobre senador Mercadante que existia uma terceira opção para sua observação: a de ela estar dizendo a verdade. O que deu para perceber na reunião era que Lina estava muito segura do que dizia, não caiu em contradição e deu alguns detalhes sobre seu encontro com a ministra.Mas, uma dúvida ainda fica no ar: Por que Dilma nega veementemente o encontro com Lina Vieira?
Possibilidades mil: se esse encontro fosse confirmado, Dilma teria passado por cima de uma autoridade maior que a ex-secretária da Receita: o ministro da Fazenda Guido Mantega, chefe direto de Lina Vieira. Se confirmada, essa reunião entre as duas também mostraria que a ministra estaria se metendo em atribuições que não diziam respeito à Casa Civil. Enfim, são muitas dúvidas e poucas certezas. Na CCJ, os senadores se ativeram ao detalhe de que o encontro com Dilma não estava marcado nas agendas de Lina, que não se lembrava da data do encontro com a ministra. Para embolar o meio de campo, a revista Veja traz um fato novo. Em seu depoimento na CCJ, Lina Vieira disse que não comentou do encontro com ninguém, nem mesmo com o ministro Guido Mantega. Já o ministro disse que sabia do encontro e que conversou com Lina em uma data que, também, não se recorda.
Hoje, a Receita Federal exonerou dois ex-assessores de Lina. O Ministério da Fazenda considerou as exonerações como normais, já que a secretaria da Receita mudou de mão e o novo secretário, Otacílio Cartaxo, indicará nomes de sua confiança para os cargos. Na quarta-feira, os senadores de oposição esperam aprovar, na Comissão de Finanças e Tributação, três pedidos de convocações para novos depoimentos: um para Dilma, outro para Lina e mais um para Iraneth Weiner, chefe de gabinete da Receita.
Vamos aguardar para mais cenas dos próximos capítulos da novela da vida real A Favorita! E você? O que acha? Quem está dizendo a verdade?



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